Para educar é preciso confiar. Com-fiar: fiar com o Outro. Tecer a vida com o Outro. O primeiro passo na educação é despertar a confiança dos nossos alunos. Somente assim poderemos ajudá-los a tecer a vida.
O perdão é a chave que abre todas as portas para felicidade. Infelizes são os cegos ao poder do perdão. Ainda não perceberam que perdoar é como limpar a passagem para o novo. Quem não perdoa carrega em si o peso do outro. Somente o perdão abandona no passado as tristezas e abre espaço para o novo. Impossível seguir em frente carregando fardo pesado. Muitos ainda preferem carregar consigo o rancor, o desprezo, a traição, o desamor, e tantas outras dores. Não conseguem se libertar e seguir em frente.
Perdoar é entregar a dor, é perder a dor, é doar a dor ao mundo e seguir em frente.
Que o ano de 2012 seja o ano do perdão.
Feliz ano novo!
Viver é uma sabedoria regada a reflexões. Às vezes me assusta a dureza das pessoas para se entregarem à reflexão. Passam suas vidas manipuladas por maneiras prontas e acabadas de resolver problemas, de perceber a vida e, muitas dessas maneiras, completamente obsoletas.
“A vida sem reflexão não merece ser vivida”, já nos dizia Sócrates. Não há apenas uma maneira de ver o mundo. Agarrar-se a uma única leitura é se condenar à pequenez da alma. Há um caleidoscópio à disposição dos nossos olhos para ver o mundo.
Quantos sofrem diante da limitada capacidade de encontrar outro caminho, de investigar possíveis passagens e explorar novos horizontes? Viver é comungar de uma escolha, penetrar num olhar e apaixonar-se pela jornada escolhida. Enquanto tantos preferem escolhas prontas, caminhos marcados, sentidos finalizados por antepassados, há quem ouse fazer da reflexão uma investigação capaz de romper barreiras, de reconstruir estradas, redefinir valores e rever posturas sacramentadas pelo tempo.
É preciso acordar o sujeito adormecido em nós, dar voz a sua capacidade de crítica, devolver ao indivíduo seu direito de julgamento.
Muitas vezes o sofrimento, a dor, provêm da cegueira instituída, emana do cômodo, ou decorre da ignorância traduzida pelo desconhecimento de levantar nossas possibilidades. Imprescindível reverter a desordem; lançar luz sofre o sofrimento, o enquadramento, que engessa e imobiliza milhares de pessoas na dor.
Um bom exemplo é o ódio. Não odiamos o outro, odiamos a representação que fazemos do outro. Odiamos nossa presunção, a arrogância em definir de antemão o outro. Não é o outro que me fere, é a ideia que construí do outro em mim. E assim, ignorantes do jogo, imbuídos da limitada condição humana posta ao nosso alcance, alimentamos o ódio, o desprezo, e tantos outros sentimentos que, na verdade, atingem unicamente o próprio sujeito.
Somente a reflexão, a volta que o pensamento faz sobre si mesmo, é capaz de romper com essa perversa relação criada no seio do relacionamento humano.
Teuler Reis
11/09/2011
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Se me ronda o pessimismo silencio minhas palavras. Inevitável não ser engolido pelo desânimo diante do mundo. Quebraram os espelhos por onde nossa verdade refletia. Há escuridão por toda parte, impera o desleixo, a falta de cuidado. Agarro-me a um pequeno caco do espelho estilhaçado, receio ser mais um. Em mim, ainda dói o descaso, a arrogância, a falsidade, o silêncio enganador, a ganância destrutiva, a falta de humor, o egoísmo, o deixar-se levar pela onda do desamor. Tento me manter íntegro e de olhos abertos. Não sei se a idade, ou o desgosto diante dessa insensibilidade humana, andam me desconcertando o sorriso do rosto. Apagaram as luzes e agora resta sair tateando na esperança do reconhecimento. Se a imagem antes revelava, hoje ela disfarça, oculta a verdade dos olhos. Triste quando não reconhecemos mais o mundo, amigos, esperanças, tradições, amores. Triste se deitar às vésperas de uma festa cheia de encantos e acordar diante de um mundo vazio de significados, um mundo vendido ao consumismo, alienado de sua natureza humana. Meu coração está acabrunhado, desconsolado. Mas, ainda resta uma esperança: um presente do bom velhinho de barbas brancas, que dispense papel colorido e fitas brilhantes, que se faça presente a todo o momento, grande o bastante para ser compartilhado com todos, leve o suficiente para voar em longa distância, que aplaque a fúria dos corações e faça renascer a verdade no mundo. Que venha a PAZ!
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Síndrome da desobediência
Não é preciso muito esforço para perceber que algo não anda bem. A sociedade parece estar mergulhada numa síndrome de desobediência. Basta que alguém diga o que deve ser feito para imediatamente ocorrer o contrário. Tenho viajado muito nos últimos tempos e observo atentamente o comportamento humano. Os aeroportos são prato cheio para demonstrações de incivilidade. O ato é sempre contrário a orientação. Por exemplo: a comissária diz para manter os cintos afivelados até a parada total da aeronave, imediatamente ouvimos os estalos dos cintos sendo abertos. Novamente outra orientação: mantenham seus celulares desligados até o saguão. Pronto! Foi dada a “ordem”, imediatamente várias pessoas pegam seus telefones e começam a ligar desesperadamente. E quanto o trajeto até o saguão é feito por ônibus, pode-se ver placas de proibição do uso do celular por todo o ônibus, mas, ainda assim, são muitos os que estão cegos para tais orientações. Esses são alguns dos muitos casos de desobediência às regras da nossa sociedade.
Lamentavelmente, algumas pessoas perderam a capacidade de reflexão diante do mundo. Banalizam os pactos sociais e depois não são capazes de compreender as conseqüências de seus atos. A dimensão do ato, a princípio de pouca gravidade, vai aos poucos assumindo um peso considerável. Hoje a desobediência ao uso do celular, amanhã o desrespeito a vida, a honra, a dignidade. É preciso acordar a sociedade para a vida. Precisamos restabelecer o pacto social e fazer dele nossa proteção contra os maus. É triste ver tantas pessoas banalizando a civilização. Muitos têm doutorado, são grandes executivos, passaram por ótimas escolas, mas, ainda assim demonstram descaso para com a sociedade.
Há pouco tempo presenciei uma cena digna de nota: uma criança de mais ou menos cinco anos, num desses ônibus que levam os passageiros até o saguão, em bom tom e num volume espetacular diz a mãe: “mãe, mãe, porque está todo mundo falando no celular e tem aquela placa dizendo que não pode?” O constrangimento causado pela criança foi notório. Alguns meteram o celular no bolso em fração de segundos, outros nem mesmo ouviram as indagações daquela pequena criança diante do desrespeito às regras.
Certamente, sua visão de mundo já estará marcada pela incapacidade humana de respeitar os pactos. Resta lembrar que nossos pactos representam a vontade do povo, foram estabelecidos mediante a vontade da maioria, quase sempre num contexto democrático. Assim sendo, deveríamos fazer valer nossas vontades, nosso desejo maior de conviver numa sociedade justa e solidária. É preciso urgentemente provocar a reflexão acerca dos nossos valores, da nossa vontade de crescer numa sociedade para todos. Para isso resta conter o individualismo que paira sobre a sociedade, fazendo alguns acreditarem serem os donos do mundo.
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